Grécia: Antiga e bela
O que é o belo? Qual a definição de beleza? E
por que ela importa? Esses questionamentos são, e sempre foram, objetos de
estudo da filosofia, na tentativa de entender seus desdobramentos, e da arte,
por se tratar de um conceito cultural. Uma das grandes influenciadoras e
responsáveis por parte dos parâmetros atuais foi a visão grega do belo.
Este seria o bem, a verdade e a perfeição. Uma forma
encontrada de se aproximar dessas virtudes era se parecer com os Deuses, seres
imortais dotados de poder no mundo material e que assumiam forma humana.
Baseados no antropocentrismo, o homem se torna a medida de todas as coisas. A
beleza física também era relacionada a inteligência, uma vez que, para ser
considerado um cidadão completo, os gregos deveriam ser belos e ter noções de
política e arte.
O renascimento e o neoclassicismo se voltaram a reconstruir
as formas clássicas greco-romanas, buscando o equilíbrio e a exatidão nos
contornos. O Homem Vitruviano, de Leonardo da Vinci, surpreende pela simetria; Botticelli, no Nascimento de Vênus, resgatou padrões da antiguidade ao usar uma mulher ruiva e mais avantajada, tida como bela na Grécia; a escultura Davi, de Michelangelo, relembra os Deuses e Semideuses musculosos que normalmente eram exibidos nus; Antônio Canova teve boa parte de suas esculturas baseadas em histórias, heroísmos ou Deuses Gregos e por aí vai.
Juntando as severas normas de estética com o realismo das obras, fundou-se um dogmatismo que afirma que a qualidade do
artista está em imitar a natureza. Na esfera social a cobrança se aliou a ditadura
da beleza e foi da esfera artística até a publicidade e mídia. E, apesar de
diversos movimentos, especialmente a partir do século XX, tentarem acabar com
tal protocolo, parte significativa dos ideais de beleza compartilhados antes de
Cristo ainda resistem na sociedade.

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